Motivação no trabalho implica em mudança

Por:Julio Machado
Mensagens

02

Apr 2015

Hoje temos questões angustiantes ligadas ao mundo do trabalho: Como encontrar motivação apesar do salário? Como lidar com a resistência das pessoas às mudanças inadiáveis? Temos também uma nova e irreversível realidade, em tempo de globalização:

  • abertura de mercado gerando o aumento da competitividade;
  • maior exigência quanto ao desempenho profissional e o domínio das novas tecnologias;
  • demanda interna das pessoas por mais prazer no trabalho e melhor qualidade de vida.

Recompensas salariais e premiações não são mais suficientes para manter acesa a chama da MOTIVAÇÃO NO TRABALHO.  Hoje, percebe-se que a realização profissional está intimamente ligada ao sentido mais amplo daquilo que fazemos, ou seja, à relação que estabelecemos com o trabalho: meio ou fim? Essa definição pessoal determinará o nível de prazer e o sucesso profissional. Para assegurar sua sobrevivência neste mundo em acelerada transformação as organizações estão investindo mais nas pessoas. Motivação no trabalho implica em mulher sorrindoO êxito desse empreendimento vem a partir de uma conscientização mais ampliada e do desenvolvimento de habilidades intra e interpessoais, do que resultará numa autêntica MUDANÇA PESSOAL. Mudaremos a nossa vida, no sentido de sermos mais bem sucedidos, não com boas intenções ou palavras convincentes, mas, sobretudo, com AÇÃO.  “AS COISAS NÃO MUDAM: NÓS MUDAMOS” (Henry D. Thoreau) A vida é como uma tela em branco onde pintamos o quadro que queremos. Pode ser um quadro mais para a depressão e o fracasso, ou um quadro mais para a saúde e a prosperidade. Tudo depende da combinação de tintas que utilizamos, isto é, como estamos pensando sobre a vida, como é o nosso sistema de crenças. Segundo Albert Ellis, psicólogo americano que desenvolveu a Psicoterapia Racional-Emotiva, o que importa não são os fatos, mas o significado que esse fatos têm para cada pessoa.

Assim é que um mesmo fato pode provocar emoções e reações diferentes em cada pessoa, dependendo de como cada um o enxerga. Esse “enxergar os fatos” é a lente com a qual interpretamos aquilo que vivenciamos, aquilo que acontece. Essa lente é o nosso sistema de crenças, que vai sendo construído conforme a nossa história de vida, o lugar onde nascemos e crescemos, a nossa educação familiar e religiosa, as nossas experiências pessoais, etc. Nosso sistema de crenças faz, então, uma filtragem de tudo o que percebemos e constrói os nossos pontos de vista e as idéias que temos a respeito de tudo. Ellis procurou explicar a causa das emoções, através do que ele chamou de “Princípio do ABC”:

A = Acontecimentos (fatos da vida) B = Do inglês belief (crença) C = Consequências (emoções, estados de humor, comportamentos Normalmente queremos explicar os porquês das nossas emoções e comportamentos, colocando (A) como causa. Por exemplo: “Estou muito infeliz e indignado (C), porque aquela floresta pegou fogo (A)”. Portanto, (A) causa (C).

(A) → (C) Segundo Ellis, no entanto, um mesmo fato (A) pode levar a emoções muito diferentes, conforme o que pensamos daquilo que está acontecendo. Uma mata incendiada pode provocar indignação naquele botânico ou naquele artista, enquanto no moço que teria o trabalho de roçá-la, no dia seguinte, pode provocar uma grande satisfação. Aqui não está em questão se devemos sentir isso ou aquilo, ou se o sentimento é certo ou errado, mas, sim, que as emoções podem ser diferentes diante de um mesmo fato. Portanto, não pode ser (A) a causa de (C). Há um outro elemento faltando nessa relação (A) → (C). Esse elemento seria a verdadeira causa das emoções de todos nós: (A) + (B)   =    (C) (B), do inglês belief , refere-se às idéias, pensamentos ou crenças existentes no arquivo de cada pessoa. São essas idéias que nos levam a experimentar as emoções mais diversas. Tudo depende da interpretação que temos a respeito do mundo em que vivemos. Repetindo: “As coisas não mudam, nós mudamos.” Aí está a chave do poder pessoal. Diante dos fatos, não há argumentos. Eles acontecem ou não e ponto final. Agora, por causa das velhas crenças de que os fatos causam nossas emoções e reações, é que nos sentimos impotentes para mudarmos nossas vidas na direção de nossas escolhas. Pensamos: “não posso mudar os fatos, portanto não posso mudar a minha vida”. Se continuarmos colocando a culpa do nosso fracasso e infelicidade pessoal nos fatos externos, naquilo que os outros nos fazem ou nos impedem de fazer, continuaremos marcando passo na vida com os pés acorrentados para seguirmos na direção do nosso sonho, esperando que os outros e as coisas nos deem alguma motivação. Cada um de nós é, portanto, responsável pelo que sente, faz ou deixa de fazer. Escolhemos o que iremos sentir quando nos sintonizamos com um canal de pensamentos do nosso “arquivo pessoal” e começamos a travar um diálogo interno com o seu conteúdo. Daí, as emoções começam a brotar como resultado do que pensamos, claro que, na maioria das vezes, inconsciente e automaticamente.

Fomos treinados, durante anos a fio, a enxergar mais o negativo e os defeitos do que as qualidades e as virtudes das pessoas. Isso mostra o quanto as pessoas que foram envolvidas num sistema educacional materialista e hiper-racional, que cresceram desprovidas de um mínimo de amor-próprio e autoconfiança, sentem-se atraídas pelo negativo e a desgraça alheia. Parece que, para se sentirem um pouco mais por cima, necessitam ver muitos por baixo, consolando-se com o fracasso alheio. Como tudo é uma questão de “percepção pessoal”, então a realidade absoluta não existe. O que existe é um ponto de vista pessoal a respeito de tudo que podemos perceber. Partindo dessa premissa, é importante nos atermos à ideia de que, se a realidade só existe enquanto a percebemos, a chave, para mudarmos nossa motivação e o mundo à nossa volta, está em modificarmos o foco de nossa percepção. Se a sintonizamos com a luz, com o positivo em nós, teremos de volta luz, abundância, alegria de viver. Se, ao contrário, sintonizamo-nos com o negativo, com o pessimismo, colheremos toda sorte de desventuras, dependendo do tempo e da intensidade dessa sintonia. Alguém que vê, por exemplo, um estrume de vaca no passeio de sua casa poderá enxergá-lo conforme a sintonia do que podemos chamar de “baixo ou alto astral”.

No “baixo astral” aquilo pode significar algo nojento e sujo, enquanto que, numa sintonia interna mais elevada – “alto astral”, a pessoa até se alegra com a possibilidade de recolher um pouco de esterco para o seu jardim. Precisamos aprender, portanto, a mexer deliberadamente com a sintonia das ondas de pensamento que emitimos, pois, dependendo da freqüência de ondas de pensamento em que estivermos, a vida pode ficar mais para o ‘preto e branco’ ou para o ‘colorido’. Aprender, também, a tomar cuidado com o que pensamos e com o que falamos, pois pensamentos e palavras são forças capazes de destruir ou construir mundos. É importante que façamos conosco um trabalho de autoconhecimento e comecemos a identificar o que está na base de nossos estados de humor. Qual é o conteúdo do nosso sistema de crenças que nos leva a sentir determinadas coisas e que, consequentemente, nos conduzirão a certos comportamentos. Nada em si é negativo ou é positivo. As coisas passam a ser o que nós pensamos dela. Portanto, não é querendo mudar os fatos externos que conseguiremos ser mais felizes. O melhor que temos a fazer é empenharmo-nos em mudar a única coisa que nos compete mudar: NÓS MESMOS.

Voltemos à tela em branco. Podemos escolher pintar um quadro colorido e radiante ou escolher uma paisagem depressiva e sombreada para a nossa vida. ESCOLHEMOS A VIDA QUE QUEREMOS LEVAR. Esta é, talvez, a mais terrível ou maravilhosa das verdades. Nada tem o poder para nos causar nada. Somos nós quem permitimos que as coisas nos afetem ou não. É como um rádio que tem ao seu redor centenas de ondas eletromagnéticas, geradas por várias estações, mas que só lhe penetrará aquela onda com a qual ele estiver sintonizado. Seria bem mais fácil continuar culpando o mundo e as pessoas pela nossa infelicidade e pelos nossos fracassos pessoais, pois tomar consciência desse outro ponto de vista nos traz uma imensa responsabilidade (responder por si) e nos tira da estagnação. Recoloca o destino de nossas vidas no seu lugar de direito, qual seja, nas nossas mãos. Uma frase de Sartre: “Mais importante do que aquilo que fizeram conosco, é o que fazemos com aquilo que nos fizeram” Esse é o primeiro passo na busca de uma maior motivação e prazer no trabalho e na vida em geral: o domínio e o controle de nossos pensamentos.

A partir daí, começa a aventura, no sentido de descobrir a nossa verdade pessoal, que está num outro nível de consciência, além da fronteira da mente e do seu emaranhado de pensamentos.      

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