Podcast 22 – VOCÊ TEM SEDE DE QUE?

Por:Julio Machado
Podcast

31

Aug 2016

 

Robert Johnson, autor do livro We (que significa nós em inglês), analisa essa busca do par ideal como um justo anseio da nossa alma que deseja se preencher do amor divino. Johnson afirma que o problema dos relacionamentos acontece quando, na falta de uma espiritualidade equilibrada, buscamos Deus no outro, exigindo que ele nos dê simplesmente o Céu. Não é de se estranhar que as frustrações e as cobranças comecem logo a aparecer.

Você pode estar achando que este não seja o seu caso. Você até diria que nem passa pela sua cabeça querer que o seu parceiro ou parceira seja um deus para você. Entenda-me, a coisa é mais sutil. É claro que, em sã consciência ninguém espera isso de alguém. Mas dê uma olhada: todas as vezes que nos decepcionamos quando o outro falha conosco… todas as vezes que ficamos impacientes com os erros do parceiro… todas as vezes que sonhamos que seríamos mais felizes se trocássemos de par… pode saber: é a sua alma procurando pelo infinito e cantando como o Jota Quest: “Quero um amor maior…” É a sua alma que diz:  quero mais, pois o que tenho não é suficiente. Isso, meus amigos e amigas, é carência espiritual travestida por um desejo de encontrar uma pessoa especial.

A inevitável desilusão, o vazio e, sobretudo, a raiva que passamos a ter do outro que nos decepcionou, são os principais sintomas de um relacionamento que se frustrou e adoeceu. Diríamos que a intenção no ponto de partida era muito boa, buscar a completude amorosa, mas erramos por um detalhe: o alvo. Ao invés de mirarmos para o transcendente, para o alto… miramos numa pessoa, ao nosso lado, e que aos poucos se mostrará tão carente como nós.

A lição mais importante que aprendi, depois de alguns encontros e desencontros amorosos, é que não devemos esperar mais de um namoro ou de um casamento do que aquilo que ele pode nos dar. Eles são apenas meios para se alcançar algo maior e não um fim em si mesmo.

Percebi também que a nossa alma é bastante desassossegada e que se não dermos a ela o devido e ajustado alimento espiritual, ela então sairá compulsivamente, buscando esse alimento no mundo, onde quer que seja. Aí o cardápio de ilusões é bem surtido: tem como prato principal o relacionamento romântico,  a compulsão pelo trabalho e a criação de filhos também ocupam um lugar privilegiado. Outras opções de nutrição ilusória da alma poderiam ser também a paixão por um time de futebol, as drogas, o consumismo de bens materiais, a busca pelo poder etc.

Enquanto não arrumarmos um pouco a nossa casa interior, os nossos vínculos de amor serão muito precários e insatisfatórios, pois não estaremos prontos para compartilhar a nossa vida com gente imperfeita igual a gente. Amadurecer para o amor é, no mínimo, estar mais disponível para encontrar pessoas humanas e aceitá-las como são, sem cobranças. Afinal, quem busca alguém especial, na verdade não busca ninguém, a não ser as suas próprias expectativas projetadas nos outros.

 

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