Podcast 26 – QUEM AMA CUIDA

Por:Julio Machado
Podcast

01

Sep 2016

 

Leonardo Boff, no seu livro “Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra” denuncia a principal crise civilizacional. Ele escreve assim:  “O sintoma mais doloroso, já constatado há décadas por sérios analistas e pensadores contemporâneos, é um difuso mal-estar da civilização. Aparece sob o fenômeno do descuido, do descaso e do abandono, numa palavra, da falta de CUIDADO.

Este cuidado, para se equilibrar, necessita se desenvolver como num tripé, expresso nas três facetas do cuidado: o CUIDAR DE SI, o CUIDAR DO OUTRO, o CUIDAR DO AMBIENTE. Quando verdadeiramente cuidamos de nós, também estendemos naturalmente este cuidado às pessoas com as quais convivemos. Na sequência, ampliamos este cuidado, estendendo-o para a natureza e o ambiente onde vivemos, seja casa, trabalho, etc.. Se faltar qualquer um dos lados deste tripé, o nosso cuidado não se sustentará. Por exemplo, se pensamos que cuidamos do outro e do ambiente, mas não cuidamos de nós, cedo ou tarde ficaremos amargos. Ou se achamos que cuidamos de nós e cuidamos da natureza, mas somos desatenciosos com as pessoas próximas a nós, poderemos até ser bons políticos, mas em breve colhermos muitos dissabores, principalmente no ambiente familiar.

Naturalmente este tripé, cuidar de si, do outro e do ambiente, evoluirá e amadurecerá, ao longo do nosso aprendizado existencial, aprofundando a sua intensidade e o seu engajamento. Se você der uma olhada, perceberá que a cada vez que a sua consciência amplia um pouco mais,  o seu cuidado, que é o mesmo que o seu amor, fica mais intenso e caprichado.

A natureza tem um belo exemplo de como esse cuidado evoluiu entre os animais vertebrados. Um peixe, por exemplo, quase não cuida dos seus filhotes. Existem apenas algumas raras exceções, como o cavalo-marinho macho que mantêm os filhotes protegidos numa bolsa junto ao seu corpo. Mas 99% dos peixes lançam seus gametas na água, sendo os ovos formados no ambiente externo; e os filhotes quando nascem têm que se virar sozinhos.  Os anfíbios, como no caso do sapo, possuem um pouco mais de cuidado com os ovos que são envolvidos numa espécie de massa gelatinosa, mas no que diz respeito aos filhotes, que conhecemos como girinos, é cada um por si.

os répteis, como por exemplo as tartarugas marinhas, formam  um ovo com casca dentro do corpo da fêmea, mas depois que ela os enterra na areia, aí fica por conta da natureza e depois que nascem as tartaruguinhas, cada uma vai buscar por conta própria tanto o alimento como a sua proteção.

Agora, as aves já dão um show no que diz respeito aos cuidados e a dose de atenção que dedicam aos seus filhotes. Elas também cobrem o seu ovo com uma casca protetora, mas, diferentemente dos répteis, elas mesmas chocam seus ovos e quando os filhotes nascem, os alimentam por um bom tempo, além de se dedicarem ao seu aprendizado de vida, enquanto ainda são jovens.

Chegamos finalmente no grupo dos mamíferos onde a dose de cuidado e de atenção atingem o seu grau mais elevado. Excetuando umas raras exceções, a grande maioria dos filhotes são gestados no interior do corpo da fêmea e quando nascem recebem também seu alimento diretamente do corpo da mãe – o leite materno. À medida que crescem, os filhotes continuam ainda por um bom tempo ligados aos seus pais, variando este período conforme a espécie.

O filhote humano é o mais frágil de todos os mamíferos. A sua carência não é só de cuidados biológicos, mas é também de afeto e de reconhecimento. Que paradoxo… o mamífero mais evoluído é também o mais carente de todos. Provavelmente por necessitar receber tanto amor, ele também poderá desenvolver uma imensa capacidade de amar, pois normalmente aprendemos a amar através do amor que recebemos.

Bem meus amigos, a natureza já fez a sua parte e agora nos passa o bastão para que sigamos praticando o amor, rumo a uma civilização mais humanizada e amorosa,  cuidando tanto da nossa casa comum – o nosso planeta- como dos outros humanos que nela convivem.

 

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