Podcast 16 – TREINANDO O JOGO DA INOCÊNCIA 2ª parte

Por:Julio Machado
Podcast

28

ago 2016

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Numa relação de casal nos primeiros anos de convivência, ou melhor, nos primeiros meses de convivência, a gentileza impera. Quando acontece alguma falha ou o outro “pisa na bola”, o que mais ouvimos são frases do tipo: “Não se preocupe meu bem, não tem importância mô… isso acontece…errar é humano…você é lindo até quando esquece o que eu te pedi para fazer.

Fico pensando que esta é uma época em que estamos mais lúcidos, pois estar enamorado por alguém nos torna mais humanizados, mais sensíveis. Ainda  vemos o outro enquanto outro, portanto não perdemos a cortesia e o bom senso no trato das coisas do cotidiano.

Mas com o passar do tempo vamos nos confundindo com o outro e embolando os espaços. A gentileza diminui na mesma proporção que o encantamento se apaga. Então começa a aparecer no relacionamento uma pitada de competição, de jogos de dominação e de controle. Aí o jogo da culpa ganha força. Os dois aproveitam qualquer escorregada para culpar ao outro. Como diz o nosso saudoso Gonzaguinha:

São tantas coisinhas miúdas
Roendo, comendo
Arrasando aos poucos
Com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
De gritos e gestos
Num jogo de culpa
Que faz tanto mal…

Por exemplo, uma mulher se esqueceu de pagar uma conta no dia do vencimento e teve que pagá-la com multa. O marido quando viu o valor a mais, apenas a olhou com um olhar de desaprovação e não falou nada. Pensou consigo mesmo: “Só me dá prejuízo! Além de não trabalhar ainda bota meu dinheiro a perder.” Assim, ela sentiu que perdeu ponto no jogo da culpa. Porque a coisa funciona como se fosse uma conta bancária, com débito e crédito,  e numa primeira oportunidade ela vai querer dar o troco para tentar zerar a contabilidade.

Vamos imaginar se os casais começassem a brincar de inocentar um ao outro, mesmo que tenham motivos para culpar. No caso do esquecimento em pagar a conta, uma das primeiras coisas a se perguntar, como um pressuposto básico, é: “Eu já fiz isso?” Ou: “Eu também seria capaz de esquecer de pagar uma conta?” Se é por isso que eu estou querendo condenar o outro, então estou condenando a mim mesmo, pois isso também poderia acontecer comigo algum dia.

Aqui podemos entender aquela passagem do evangelho: “Não julgue! Pois com a mesma medida que julgas serás julgado”. Ou seja, você não é julgado por alguém ou por Deus lá no Céu. O amor não condena, não culpa, ao contrário, se compadece e acolhe de volta. Mas você mesmo já se julgou ao abrir uma jurisprudência ao julgar o outro.  Por esse mesmo pensamento, quando eu então inocento o outro, me inocento também das falhas que já tive e das que por ventura tiver. O que é mais saudável? Culpar ou inocentar alguém?

Só que isso exige muito treinamento. Não é da noite para o dia que conseguimos criar este novo hábito. Fazer o jogo da inocência seria como passar da função de advogado de acusação para a de advogado de defesa; ao invés de procurar os motivos para acusar, passo agora a procurar os motivos para inocentar.

Com este treinamento vamos aprimorando o reflexo de contar até dez e ouvir a pessoa ao invés de já ir atacando e apontando suas faltas. Isso é o que chamamos de “Inteligência Emocional”Desculpar alguém  é pura questão de motivação. É escolher se queremos ver os motivos para culpar ou para inocentar.

 

 

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