Podcast 25 – UM NOVO EU PARA SER EU DE NOVO

Por:Julio Machado
Podcast

01

set 2016

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Sempre estou adiando as coisas, deixando tudo pra depois. Esperando que, quando isso ou aquilo acontecer, aí sim mudarei a minha vida, meus hábitos, serei mais saudável, farei ginástica, meditação, tomarei finalmente essa ou aquela decisão.

Assim vou seguindo infeliz e agindo mal comigo mesmo, apresentando mil e uma desculpas para justificar e mascarar a minha covardia, a minha estagnação. Quero, desejo muitas coisas, mas não estou cuidando do catalisador dessas mudanças: eu mesmo. Continuo andando às cegas, tateando no escuro em busca de uma coisa mágica que transforme a minha vida de fora para dentro.

Não vivo o real, porque estou preso a ilusões. Estou vivendo num mundo que idealizei... que criei como resposta às minhas dores e à minha auto-piedade. Afinal, não é possível que o coitadinho de mim não mereça muito mais, depois de tanto sofrimento.

Agora, decido sair do estado de hipnose e de auto-engano em que me encontro. “Quero Voltar pra casa”. Fiquei fora muito tempo… ela está suja, empoeirada, com rachaduras e teias de aranha, mas é a minha casa: EU. Preciso remover e limpar a sujeira: o ódio, a raiva, a mágoa, o sentimento de fracasso e a culpa; tirar os entulhos que guardo há tanto tempo e aos quais tanto me apeguei: ofensas, traições, cartas antigas, lembranças dolorosas; vedar as rachaduras, curar as feridas, abrir as portas e as janelas para o novo, sem tratar isso como algo desconhecido ou surpreendente. Simplesmente vou fazer o que precisa ser feito.

Satisfazer as necessidades pessoais é mais difícil do que satisfazer as necessidades dos outros, exatamente porque somos exigentes demais conosco. Por isso olhamos tanto para fora, para os outros, para não ouvir nossa própria voz. Acumulamos tarefas e obrigações para despistarmos o chamado do nosso interior, como quem aumenta o volume do rádio para não ouvir a voz do vizinho que está gritando. Dói olhar para si. Soa como perda de tempo ou como quem não tem o que fazer

Enquanto escrevo, e sei o quanto isso está me inquietando, minha mente me diz:

“Ei cara, você precisa pagar umas contas no banco”.

O trabalho, as compras, as obrigações. Mas tudo o que eu queria era ficar aqui e escutar meu coração me dizer o que ele quer. Largar tudo e ir dar uma volta na lagoa, quem sabe? Deitar na rede e ler um livro de piadas, talvez. Ou dar a mão à minha criança interior para um passeio, um reencontro que ela há tanto tempo anseia, para me contar tudo sobre minha vida, dos últimos tempos em que estive fora.

 

 

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