Podcast 42: TEUS OLHOS SÃO DUAS ESTRELAS A ME REFLETIR

Por:Julio Machado
Podcast

12

Mar 2018

 

Vamos hoje aprofundar um pouco mais na compreensão de como os nossos relacionamentos podem conter a chave para a nossa evolução. O outro é a chave. Como falamos na semana passada, a beleza e a bondade que vemos nos outros é também a nossa beleza e a nossa bondade. Isso é fácil de admitir. O problema é

também concordar que as características que nos incomodam no outro, também estão dentro de nós. É aí que a coisa aperta e a vontade é de quebrar o espelho quando vemos nele a nossa sombra projetada.

A projeção é uma transferência involuntária do nosso próprio comportamento para outras pessoas, dando-nos a impressão de que determinadas características estão fora de nós. Projeção, ao pé da letra, significa jogar alguma coisa para fora em direção a algo ou alguém, e isso é o que todos nós fazemos quando vemos refletida a nossa imagem no espelho da vida. Nós tomamos a culpa ou o defeito que escondemos dentro de nós e dizemos: Isso não está realmente em mim, está em você. Você é o culpado. Eu não sou responsável por ser miserável e infeliz, você sim é culpado pela minha infelicidade. Do ponto de vista do ego, não importa quem seja o ‘você’. Pode ser filho, marido, mulher, irmão, vizinho ou até um personagem de filme ou de novela.

Quando sentimos culpa ou desconforto em relação às nossas emoções ou partes inaceitáveis da nossa personalidade, atribuímos esses aspectos – como um mecanismo de defesa – a objetos exteriores a nós ou a outras pessoas. Quando somos intolerantes com as falhas das outras pessoas, por exemplo, estamos projetando o nosso próprio complexo de inferioridade que recusamos a ver em nós. Dessa forma, tudo o que não assumimos, que negamos em relação a nós mesmos, projetamos em outras pessoas.

Instintivamente, nós recuamos diante de nossas projeções negativas. O que nos dificulta a admitir que o que vemos no outro tem a ver conosco é achar que somos exatamente aquilo que rejeitamos nele. Quando vemos no outro uma certa característica negativa  juramos que não somos daquele jeito. E estamos certos em pensar assim, pois o jeito como se manifesta aquela característica é daquela pessoa e não o nosso.

O segredo para nos conhecer através do espelho da vida é ficarmos atentos ao que sentimos e não a aparência do que vemos. Se alguma coisa nos incomodou no outro não podemos pensar que somos exatamente daquele jeito. É aí que nos sabotamos. Devemos pegar este incômodo como uma senha para encontrar, nos bastidores da nossa vida, como aquela característica se manifesta em nós, ou seja, qual é o meu jeito de também fazer aquilo que me incomodou no outro. Se procurar você acha.

Certa vez uma mulher reclamou que seu marido era muito grudento e que não dava espaço para ela respirar. Como ela pediu a minha opinião, eu lhe disse, na lata, que se algo no outro te incomodou, é porque você também é assim. Ela reagiu espantada:

– Como? Eu não sou assim com ele.

– Eu lhe disse que certamente ela não era grudenta do jeito dele, mas sim do jeito dela. Perguntei-lhe se ela reconhecia algum outro tipo de situação em que ela era também um tanto pegajosa.

Imediatamente ela afirmou: com meus filhos. Inclusive relatou que havia recebido várias queixas de um deles pedindo que ela desse um pouco mais de espaço para ele.

Basta um pouco de honestidade e vontade de se aprimorar como pessoa para começar a tirar proveito desse fantástico espelho que é o outro. Não é fácil, mas é o único caminho.

Lembra de uma frase de Jesus: Você que vê o cisco no olho do seu irmão, vá primeiro tirar a trave que está no seu. Como se estivesse dizendo: Você não pode projetar a sua culpa nas outras pessoas. Você tem que identificá-la em si mesmo e curá-la onde ela está.

A dinâmica da coisa então ficaria, mais ou menos, assim: como ela sabe que é pegajosa, mas se recusa a admitir isso para ela mesma, então quando encontra alguém pegajoso na sua frente ela lança sobre a pessoa um ataque de críticas e de aversão àquele comportamento. No fundo, no fundo ela está atacando a si própria.

Para arrematar a nossa conversa a mulher indagou: O que eu devo fazer então? Eu lhe disse: Com o outro, nada, mas você tem um trabalho a fazer com você mesma, o famoso CURA-TE A TI MESMO.

Primeiro, reconheça que o que você vê no outro é você mesma. Este primeiro passo já alivia muito o relacionamento, pois paramos de acusar e atirar flechas. Aqui começa a nascer a COMPAIXÃO pelo outro, da compreensão de que você e ele são muito parecidos;

– Depois desse reconhecimento, crie um momento de silêncio e de paz interior, onde você possa se aceitar e se perdoar, sentindo a verdade disso.

– O próximo passo é incorporar a característica pegajosa como um parte de você, e que o que é ruim não é o fato de ser grudenta, mas, sim, a medida que está um pouco além da conta. Ser um pouquinho pegajoso não faz mal a ninguém. Aliás muitos filhos até sentem falta de um pai ou uma mãe serem um pouco assim. Redimensione a dose do grude nos seus relacionamentos e não se surpreenda se, a partir da sua própria mudança, o seu marido também não fizer um redimensionamento do grude dele em relação à você.

 

 

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