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Podcast 47 – Percepção x Conhecimento

Por:Julio Machado
Podcast

15

Feb 2019

 

Na maioria das vezes que afirmamos agir com base no conhecimento, estamos, na realidade, baseando-nos na nossa percepção. Confundimos, facilmente, conhecimento com percepção.

Conhecimento é aquilo que adquirimos pela nossa sabedoria de vida. Ele é universal. Já a percepção é a informação que obtemos pelos órgãos dos sentidos, tanto nossos como dos outros, ou seja, aquilo que vemos, que ouvimos e assim por diante.

Será que aquilo que vemos, que ouvimos ou que tocamos são expressões da verdade? Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!

Conhecer é ter certeza daquilo que é… e esta certeza não vem da percepção, que esta sujeita à múltiplas variáveis. Na história dos cegos que contamos num podcast anterior, cada um deles falava do elefante baseando-se na percepção individual e não no conhecimento. Por isso que eles discutiam e não chegavam a nenhum consenso. O conhecimento viria da reunião de todas as percepções, por isso ele é consensual e permanente. A percepção já e temporária, pois está sujeita às crenças e valores particulares.

Platão, famoso filósofo grego que viveu há aproximadamente 400 anos antes de Cristo, afirmava da existência de dois mundos: o sensório (da percepção) e o inteligível (do conhecimento). Platão entendia que o verdadeiro conhecimento só pode ser alcançado no mundo das idéias e nunca no mundo sensorial. Você flerta com a verdade através da sua intuição que está além de todas as percepções.

As percepções mudam e estão ligadas ao tempo e ao espaço. Percepção é ponto de vista e, como tal, podemos ver de muitas maneiras, porque a percepção envolve interpretação e isso significa que ela não é isenta ou consistente.

O conhecimento é sempre estável e intemporal porque a certeza daquilo que verdadeiramente é… é inquestionável. Diz um preceito oriental…”Tu conhecerás quando tiveres cessado de questionar”.

Qual é a verdade a respeito do movimento da terra em relação ao sol? A nossa percepção, isto é, a interpretação que damos ao que os nossos olhos vêem, nos diz que a terra está parada e que o sol se move ao seu redor. Já o conhecimento diz que a percepção está equivocada, mesmo que ela esteja vendo, isso não é verdade, pois os cálculos matemáticos e os instrumentos afirmam que é o contrário. A Terra é que gira em torno do sol. Aqui se aplica aquela famosa frase: parece, mas não é.

Outro exemplo de como a percepção pode nos enganar é quando estamos em frente a uma linha de trem. A nossa percepção diz que as duas linhas paralelas se encontrarão num ponto mais adiante. Pelo conhecimento sabemos que isso não é verdadeiro. É uma ilusão de ótica. Na verdade elas continuarão marchando uma do lado da outra até acabar o caminho.

A nossa percepção então nos aprisiona no mundo das ilusões enquanto o conhecimento nos liberta. Deste modo podemos ver a realidade, não quando estamos de olhos abertos, mas sim quando fechamos nossos olhos para conectarmos com a sabedoria interior, que é a mesma para todas as pessoas.

Vocês hão de convir que todo o julgamento que fazemos acerca do comportamento de alguém é sempre baseado na nossa percepção, ou seja, na interpretação que fazemos dos fatos. E um mesmo fato pode receber interpretações diferentes, dependendo da nossa motivação e do envolvimento emocional com o acontecido.

Baseado nesta compreensão é que a sabedoria consiste em não julgar, seja qual for o fato ocorrido. O conhecimento nos garante que nunca sabemos o suficiente sobre nada ou ninguém e que todo veredito é provisório e falível.

Pela percepção nós julgamos; pelo conhecimento nós perdoamos.
Pela percepção eu e você estamos separados; pelo conhecimento somos um.
Pela percepção o que eu dou eu perco; pelo conhecimento quanto mais eu dou mais eu aumento o que já tenho.
Pela percepção estou seguro quando me defendo; pelo conhecimento a verdadeira segurança é a ausência de defesas.
Pela percepção Deus é alguém ou alguma coisa; pelo conhecimento Deus é.

A razão, que está baseada na percepção, é corretamente identificada como o domínio do ego. O ego é uma tentativa ilusória de nos perceber como desejamos ser… e não como verdadeiramente somos. Por isso que a razão nos identifica como seres individuais e separados.

A nossa consciência unificada se expande à medida que nos conectamos à verdade universal, que está para além das religiões e ideologias. A verdade não é propriedade de ninguém. Ela é simples e comum a todas as pessoas que queiram saboreá-la. Sabemos que flertamos com a verdade quando nos sentimos em paz e com um transbordante sentimento de amor incondicional.

 

 

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