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Podcast 62 – CONSTRUINDO A AUTOESTIMA DOS NOSSOS FILHOS

Por:Julio Machado
Podcast

23

fev 2022

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Ao lidar com os problemas da educação nos dias de hoje, os especialistas se concentram num processo essencial: o estímulo e o reforço da autoestima das crianças e dos adolescentes.

Autoestima é, numa definição simplificada, o que a pessoa sente em relação a si mesma. Quando positiva, significa que  ela se tem em boa conta, acredita que os outros gostam dela e confia em sua capacidade para lidar com desafios. Quando a autoestima é baixa, a pessoa acha que não merece o amor de ninguém porque não sabe fazer nada direito, podendo vir a se tornar excessivamente tímida e sem iniciativa ou, no outro extremo, se rebelar contra tudo e contra todos.

Ter uma boa autoestima fará toda a diferença naqueles momentos em que o jovem é confrontado com o seu grupo no sentido dele fazer algo que não quer,  ou que não acha certo. Ele terá mais segurança em dizer não, porque não teme perder o apoio do grupo. Mas, se a criança ou o adolescente forem mais inseguros, não resistirão a provocações do tipo “deixa de ser filhinho da mamãe, prova isso aqui cara” – e acabarão cedendo.

No começo deste século, pesquisadores da Universidade de Harvard concluíram que nos distúrbios alimentares mais graves, como a anorexia e a bulimia, a baixa autoestima é um requisito essencial para a evolução da doença: toda menina obcecada em emagrecer age assim porque não se acha bonita e, se não é bonita, não vai conseguir arranjar amigos e namorados.

Quem conhece e valoriza, não apenas a sua aparência, mas sobretudo suas qualidades humanas, adquire mais autoconfiança e tem menos probabilidade de pertencer ao grupo dos que se acham rejeitados.

Freud, no começo do século, foi o primeiro a teorizar que amor-próprio, o nome antigo da autoestima, é obrigatório para uma vida saudável. Solidificá-lo faz parte do processo de aprendizagem de vida. Esse processo caminha bem no primeiro ano de vida, quando a mãe, com o seu olhar coruja, faz o bebê se sentir o foco de todo o afeto do mundo. Na fase seguinte, do desenvolvimento motor, ocasião em que a criança começa a dar os primeiros passos, soma-se agora a necessidade daquele “muito bem, parabéns”, elogios obrigatórios para tarefas como comer sozinha e amarrar os sapatos.  Na segunda infância, o cimento da autoestima é o sucesso na escola, que não é sinônimo de notas altas, mas sim da percepção de que a criança é capaz de aprender, de se sentir motivada para estudar e de ter prazer nas descobertas. A moçada gostará mais de si mesma, se tiver amigos e se sentir que é querida pelos colegas.

Para os pais, achar a medida certa, na hora de estimular a autoestima, exige doses de bom senso e capacidade de discernimento, para saber a hora de dizer sim e a hora do não. Que ninguém se iluda – este difícil equilíbrio exige habilidade de malabarista de circo.

Pais superprotetores estimulam nos filhos uma autoimagem negativa, pois estes se sentem meio que imprestáveis pelo fato dos pais resolverem tudo; por outro lado, mal acostumados a ter tudo o que querem de mão beijada, exigem cada vez mais e, não sendo atendidos, se sentem diminuídos, como se o mundo não gostasse mais deles.

Já aqueles pais obcecados com a performance dos filhos, do tipo que exigem comportamento impecável e notas excelentes, podem acabar sufocando-os e induzindo ao sentimento de que nada do que os filhos fazem é suficiente. Esta é uma boa receita para formar pessoas estressadas e ansiosas.

O mais importante na construção da autoestima de uma pessoa é passar para ela o sentimento de que ela é importante e respeitada pelo que ela é, independente do seu comportamento ou das suas notas escolares. De que ela não precisa fazer algo para merecer o nosso amor, pois ele é dado gratuitamente. A isso chamamos amor incondicional.

Não penso que amamos incondicionalmente os nossos filhos o tempo todo. Muitas vezes vamos atrelar o amor ao merecimento. Isso é normal. Mas uma pitada de amor incondicional é indispensável para fortalecer na pessoa o sentimento do seu valor humano, onde ela não é comparada com nada nem ninguém. Onde ela é simplesmente aceita pelo que ela é.

 

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